Identificação de vias de Intensificação Sustentável para os sistemas de cultivo de milho-leguminosas: Estudo de caso de Moçambique e Tanzânia

pia_logo_rgb_small_webA agricultura global enfrenta enormes desafios no século XXI: as mudanças climáticas, a deplecção de nutrientes, as novas doenças e a insegurança alimentar estão entre as questões prementes que a agricultura deve abordar e enfrentar. Em África, o aumento da produtividade agrícola, para satisfazer a crescente procura de alimentos, requer uma série de intervenções, entre as quais a intensificação da produção agrícola. Nos últimos anos, o foco mudou para uma intensificação amiga do ambiente, de que é exemplo a agricultura tendo em conta as alterações climáticas e a intensificação sustentável.
proia_picA intensificação sustentável (IS) refere-se a um amplo espectro de sistemas agrícolas, que resultam num aumento do rendimento sem efeitos ambientais negativos e/ou sem o aumento de terra dedicada à agricultura. Esses sistemas incluem sistemas de produção intercalados de milho e leguminosas, que são o foco do caso de estudo aqui apresentado. O objectivo geral do estudo é identificar os principais factores condutores e pontos de entrada para a IS e o potencial de inovação ao longo de ambientes agrícolas contrastantes e várias tipologias de explorações agrícolas. O actual estudo concentra-se na Tanzânia e Moçambique, e faz parte de um projecto, financiado pelo Centro Australiano para a Investigação Agrícola Internacional (ACIAR, do inglês): Intensificação Sustentável dos Sistemas de Cultivo Leguminosas e Milho na África Oriental e Austral (SIMLESA, do inglês).

Os sistemas de milho-leguminosas são comuns em ambos os países e constituem os sistemas mais importantes em termos de número de explorações e parcela de terra dedicada. Em Moçambique, por exemplo, é utilizada uma vasta gama de leguminosas, onde se destacam, o amendoim, o feijão-frade e o feijão comum, principalmente devido ao seu potencial de comercialização. O feijão-boer ganhou alguma atenção nos últimos anos no centro e no norte de Moçambique. Em contraste, na Tanzânia, um mercado bem estabelecido de feijão-boer fez desta leguminosa uma referência em várias agroecologias, onde actualmente é cultivada e amplamente estudada.

O estudo utilizou uma metodologia mista que incluiu, principalmente, uma revisão da literatura, juntamente com um workshop de consulta com os principais actores da IS, realizado em Maputo.

2016-04-26-09-54-33O workshop de consulta reuniu representantes de agricultores, investigadores, universidades e autoridades agrícolas locais e revelou que existe um entendimento comum sobre a necessidade de intensificação agrícola. No entanto, isso nem sempre se traduz em intensificação sustentável. Há uma necessidade de desconstruir o que significa sustentabilidade e estudar como o conceito poderá ser adaptado para se adequar a cada tipologia de acordo com as percepções dos diferentes actores, incluindo diferentes tipologias de agricultores. Foi acordado que a viabilidade da IS deve ter em conta a diversidade agro-ecológica e a dos sistemas agrícolas em todas as tipologias. A inovação inclusiva e a melhoria da capacidade humana e financeira nas organizações relevantes foram consideradas fundamentais para o sucesso da IS. Estes dados podem ajudar a definir uma agenda de pesquisa adequada e pontos-chave de entrada para a IS, nos sistemas de cultivo mais comuns em ambos os países, ou seja sistemas de leguminosas-milho, sistemas mistos de milho-pecuária e sistemas agro-florestais.A revisão da literatura mostra que existem várias características sócio-econômicas que afectam a adopção de práticas agrícolas sustentáveis em ambos os países. Estas incluíram características do agregado familiar, tais como nível de educação, género, relações com outros agricultores, tipo de sistemas de posse da terra, rendimento familiar e tamanho da terra.

Em suma, este estudo recomenda o uso de tipologias agrícolas simples e flexíveis, mutuamente exclusivas, que reflictam as diferentes circunstâncias biofísicas e sócio-econômicas dos agricultores, para co-projetar a implementação da IS e os perfis de adopção que servirão de base para adaptar a IS às necessidades de cada grupo. Além disso, a tipologia de intervenções agrícolas adaptadas pode agregar valor à concepção actual de sistemas agrícolas, fornecendo aos agricultores as ferramentas de que necessitam para melhorar os seus sistemas. Por último, a construção de melhores sinergias entre os agentes locais é também considerada fundamental na harmonização dos conceitos de IS e das estratégias de intervenção.

Para aceder ao artigo completo em Inglês: wp2_lcs5_final-report

Para aceder ao sumário executivo em Português do artigo: wp2_lcs5_pt_sumario_executivo

 

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